SUSTENTABILIDADE?
Para chegar a alguma conclusão utilizo-me de fatos históricos recentes e faço-me valer do conceito sustentabilidade, baseado no tripé: economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto.
Em meados de novembro/2008 teve início o aglomerado de informações proveniente de SC. Para muitos as enchentes nas diversas cidades catarinenses foi um espanto. Para outros um fato já previsto.
Não é preciso ser um historiador ou geólogo graduado pelas renomadas universidades internacionais e brasileiras para se extrair algumas séries temporais oficiais. Por exemplo: de acordo com a Universidade Federal de Santa Catarina, através de estudo denominado Atlas de Desastres Naturais do Estado de Santa Catarina, o estado teve 32 inundações em 24 anos. Ou seja, em média, 1,33 inundações por ano.
A Defesa Civil também publicou, em parceria com a mesma Universidade, um estudo no qual informa ter 72 municípios (dos 293) correndo risco muito alto de serem afetados por desastres naturais (casos que provoquem a morte de dez pessoas, afetem pelo menos cem pessoas, decretação de situação de emergência ou pedido de socorro internacional). Perceba no conceito desastre natural não está embutido o item escorregamentos de terras, concluindo-se ser 24,57% (72 dividido por 293) um número subestimado.
O setor acadêmico contribuiu para a melhoria das condições de vida da população, a Defesa Civil tem ciência da alta probabilidade de uma nova catástrofe e atualmente as vítimas da tragédia aos poucos são alocadas para os mesmos lugares onde tiveram problemas.
Quem arcará com novos dispêndios em um evento futuro e será fiador de milhões (R$) perdidos pela exportação não escoada pelo porto de Itajaí? Quem desviará doações e verá a região deixar de gerar empregos pela perda de milhares de turistas?
Há sustentabilidade?
O mundo está afundado em dívidas e abalado conjunturalmente pela crise econômica. Até aqui nenhuma novidade, mas fiquei atônito ao ler sobre o exorbitante bônus distribuído aos executivos de Wall Street em 2008: US$18.000.000.000,00!
Se a tela LCD do seu computador vibrou com tamanha quantidade de zeros ou você caiu da cadeira ao defrontar-se com a expressão, eu escrevo de outra maneira.
Segundo um relatório divulgado na semana do dia 26/01/2009 pelo estado de Nova York, os profissionais do mercado financeiro americano foram recompensados com bônus de mais de US$18 bilhões em 2008. De acordo com investigações do jornal britânico The Guardian, de 1999 até a crise explodir, 12 executivos ganharam juntos um bilhão de libras. O destaque é para Stan O´Neal que, sozinho, embolsou US$279 milhões em menos de nove anos à frente do Merril Lynch (banco à beira da falência comprado pelo Bank of America).
Milhões de desempregados pelo Planeta, Governos cortando impostos e liberando verbas (inclusive com empréstimos a bancos) para movimentar as economias locais e os donos do capital demonstrando tal soberba?! Ok...Ok... (como diz Nelson Rubens, aquele que aumenta mas não inventa): lucros privados e prejuízos associados.
Há sustentabilidade?
No dia 27/01/2009 um empresário delatou um esquema milionário ligado à exploração irregular de madeira no Pará. De acordo com os relatos concedidos à imprensa, funcionários da secretaria receberam propinas para conceder autorizações a projetos piratas e de manejo sustentável inexistente. Segundo o próprio empresário, o golpe funciona com um madeireiro que derruba árvores em áreas distantes dos assentamentos. Com a conivência dos funcionários da Sema (Secretaria Estadual do Meio Ambiente), essa madeira passa a constar da papelada oficial, como se tivesse sido extraída, legalmente, nos assentamentos.
Após o relato e depois da leitura de documentos, Valmir Ortega, secretário ambiental paraense, reconheceu a fraude no processo e a manipulação de dados autorizatórios.
E...?
Alguém será preso? A área desmatada indevidamente será recuperada? E a população circunvizinha ao desmatamento será recompensada financeiramente pela perda da qualidade de vida?
Há sustentabilidade?
LEANDRO DOS SANTOS SOUZA


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